Nasceu em 1360, tendo falecido
em 1431. Filho de D. Álvaro Gonçalves Pereira,
entrou aos 13 anos na corte de D. Fernando (rei de 1367
a 1383) como pajem da rainha D. Leonor de Teles. Destacando-se
logo em jovem num ataque dos castelhanos a Lisboa, for armado
cavaleiro. Aspirava à vida virginal, mas as necessidades
do mundo impuseram-lhe que se casasse a 15 de Agosto de
1376 com uma viúva, D. Leonor de Alvim, de quem teve
a sua filha D. Beatriz. A morte do rei criou a perigosa
crise dinástica, com a possibilidade da coroação
de D. João de Castela (rei de 1379 a 1390) como rei
de Portugal. Um partido nacionalista reuniu-se à
volta do mestre da Ordem de Avis, D. João, irmão
do rei D. Fernando, que o povo de Lisboa elevou a regedor
e defensor do reino. D. Nuno é chamado pelo Mestre
para o Conselho de Governo. Em breve lhe foi entregue o
perigoso cargo de fronteiro de entre Tejo e Guadiana, por
onde passariam as operações militares decisivas.
Usando táticas inspiradas nas britânicas da
Guerra dos Cem Anos, o fronteiro venceu os Castelhanos a
6 de Abril de 1384, em Atoleiros. Na batalha, Nuno Álvares
Pereira conseguiu, com um bando de camponeses, derrotar
um forte corpo de cavalaria castelhana. Esse fato influiu
no desfecho da guerra, porque mostrou a possibilidade de
uma resistência apoiada nas forças populares.
A partir da vitória dos Atoleiros, Nuno Álvares,
que tinha sido recebido com grande desconfiança pelos
Alentejanos, transformou-se num herói popular e conseguiu
mobilizar toda a força da revolta camponesa para
a defesa da causa do Mestre de Avis. Precisamente um ano
depois, este foi aclamado rei D. João I (rei de 1385
a 1433) em Coimbra e no dia seguinte D. Nuno foi nomeado
o Condestável do Reino. Conquistou o Minho para a
causa e, depois da vitória de Trancoso em Maio ou
Junho, cortou a arrojada avançada castelhana com
a memorável Batalha de Aljubarrota, a 14 de Agosto
de 1385. As forças portuguesas, dispostas em quadrado,
aguentaram com firmeza o assalto da cavalaria feudal e infligiram-lhe
uma derrota que teve consequências políticas
definitivas. A realeza do Mestre e a independência
portuguesa foram a partir de então fatos irreversíveis.
A guerra arrastou-se por alguns anos, limitada a campanhas
fronteiriças de pequena envergadura; o mais conhecido
episódio é o do combate de Valverde, vencido
por Nuno Álvares na região de Mérida.
A paz veio a ser assinada em 1411. A seguir à crise
de 1383-85, o Condestável ficara dono de quase meio
país. Quando se estabeleceu a paz, quis entregar
uma parte do que recebera aos que mais o tinham ajudado,
fazendo-os seus vassalos. O rei não o permitiu e
fez recolher ao património da coroa as terras doadas.
Depois negociou o casamento de um seu filho bastardo com
a filha única de Nuno Álvares; a imensa fortuna
do herói voltou assim ao controlo da coroa e foi
origem da Casa de Bragança. Assegurado o reino, Nuno
Álvares começou a dedicar-se a outras obras.
Mandou construir a Capela de São Jorge de Aljubarrota
em Outubro de 1388 e o Convento do Carmo em Lisboa, terminado
em Julho de 1389 e onde entraram em 1397 os Frades Carmelitas.
Dedicou em Vila Viçosa uma capela à Virgem
para a qual mandou vir de Inglaterra uma imagem de Nossa
Senhora da Conceição, que 250 anos depois
seria proclamada Rainha de Portugal. A morte da filha, D.
Beatriz, em 1414, cortou o último laço com
o mundo, e abriu o desejo da clausura. Ainda participou
na expedição a Ceuta de 1415, primeiro passo
da gesta ultramarina portuguesa, onde o seu valor ficou
de novo marcado. Mas em breve olharia para outras fronteiras.
Em 1422, distribuiu os títulos e propriedades pelos
netos, e a 15 de Agosto de 1423, festa da Assunção,
aniversário do seu casamento e dia seguinte ao da
Batalha de Aljubarrota, professou no Convento do Carmo.
Frei Nuno de Santa Maria foi um humilde frade, que viveu
em oração, penitência e caridade, pedindo
esmola pelas casas durante mais de sete anos. Morreu na
sua pobre cela, rodeado do rei e dos príncipes. Foi
beatificado pelo Papa Bento XV a 23 de Janeiro de 1918.
Padroeiro secundário do Patriarcado de Lisboa, a
sua Memória (Festa na Ordem Carmelita, na Ordem dos
Carmelitas Descalços e na Sociedade Missionária
da Boa Nova) é liturgicamente assinalada a 6 de Novembro.
A 3 de Julho de 2008, Bento XVI autorizou a promulgação
de dois decretos que reconhecem um milagre do Beato, abrindo
as portas à sua canonização.
FONTE: João César das
Neves, in “Os Santos de Portugal”, Lucerna;
José Hermano Saraiva, in “História Concisa
de Portugal”, Europa-América.