"Vocês também devem ser minhas testemunhas"
 

       A liturgia do terceiro Domingo da Páscoa apresenta Cristo ressuscitado junto aos apóstolos. Eles têm a missão de continuar a obra salvadora do Filho de Deus. As dúvidas aparecem e Jesus vai ao encontro deles para fortalecer a fé.

        Pedro faz o discurso que se encontra na primeira leitura depois da cura do coxo na porta do Templo chamada “Formosa”. Ele afirma que o ocorrido é resultado da fé em Cristo e é um sinal de que Jesus está vivo. Pedro nos seus discursos está sempre repetindo que eles, os apóstolos, são testemunhas. As obras que eles fazem provam que Cristo está vivo, pois são os sinais realizados pelo Filho de Deus. Testemunhá-lo hoje é o grande desafio do cristão, visto que os sinais de morte estão mais evidentes e a tentação de não crer é maior. Se o bem é feito aos que sofrem, as obras de Jesus Ressuscitado continuam e sua mensagem também. Pedro em seu discurso atribui a Jesus títulos – “Servo fiel a Deus, santo, justo, guia para a vida” – que são os nomes pelos quais os primeiros cristãos alimentavam a fé. Outro destaque transparece no discurso de Pedro. “O autor da vida” é deixado de lado e um assassino é escolhido pelo povo. Mas Deus intervém e ressuscita o seu Filho Amado. Os homens e mulheres não aceitam o plano do Pai para o seu Filho. Porém, o amor de Deus consegue vencer, produz resultados bons, não levando em conta a ignorância de seus filhos. O amor de Deus é mais forte e a fé não pode diminuir diante do aparente triunfo do mal. Enfim, Pedro faz um convite à conversão e propõe que o rumo seja retomado, tomar consciência dos males cometidos e mudar de vida. O projeto de Deus morre quando a inveja, o ciúme, os atos contrários à vida são colocados em primeiro lugar.

        João afirma na segunda leitura que o cristão deve reconhecer sua fragilidade, mesmo perdoado continua fraco e sujeito ao pecado. Outra parte da leitura é dirigida aos que afirmam conhecer a Deus e não observam os seus mandamentos. Somente quem observa a Palavra de Deus traz em seu coração a perfeição e o amor do Pai. Torna-se mentiroso quem pensa que basta a vivência na comunidade e o testemunho deve ser deixado de lado. Todo o agir tem de ser conforme o ensinamento de Jesus.

        O Evangelho mostra que a Ressurreição de Jesus aconteceu realmente, porém os apóstolos tiveram dificuldades em acreditar. Passaram por um caminho carregado de dúvidas e incertezas. Jesus se apresenta como o centro da comunidade e Ele se torna presente quando esta celebra a palavra e parte o pão. Aos poucos os olhos dos discípulos vão se abrindo e a grande descoberta acontece: a morte foi vencida. A vida está em primeiro lugar. 

        O texto apresenta alguns dados interessantes. Os discípulos descobriram Jesus, vivo e ressuscitado no centro da comunidade. Ele é o centro onde a comunidade é construída e articulada. As dúvidas dos apóstolos desapareceram quando fizeram o encontro pessoal com o Senhor. Foi um longo amadurecimento da fé. Outro dado que chama a atenção é o fato do evangelista afirmar que os discípulos tocaram em Jesus e fizeram uma refeição. É fato! Em seguida, Jesus Ressuscitado faz um bonito resgate das escrituras. Para encontrá-Lo e senti-Lo, o lugar é a comunidade reunida em torno da Palavra e do Pão. Enfim, a missão. Quando se faz o encontro com o Ressuscitado é impossível não testemunhá-Lo. Sua presença acontece por meio do anuncio e das ações. Proclamar que Jesus ressuscitou e não viver o seu projeto é ir contra o seu pedido: “Vocês também devem ser minhas testemunhas”.

 

 

Frei Antonio Carlos Gomes, O. Carm.