Eu creio em... nós cremos
 

Por que vocês católicos rezam o Creio, não está na Bíblia? Esta pergunta alguém que não pertence à Igreja Católica fez a uma pessoa piedosa, que não soube responder e ficou em dúvida e me perguntou. Mas certamente é uma questão que poucos cristãos sabem  responder.

Em que eu creio mesmo, qual o conteúdo da minha fé? A pergunta serve se você é evangélico, ou Católico.

Qual a origem da sua fé? Da para acreditar em Jesus Cristo, sem acreditar na Igreja?

Os evangelhos, são já uma profissão de fé da Comunidade. Quando Jesus pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” Os discípulos, apresentam a Jesus a opinião das pessoas. Em seguida Ele pergunta-lhes: “E vós quem dizeis que eu sou?” (Mc.8,27-29) Pedro em nome da comunidade proclama a fé em Jesus dizendo: “Tu és o Messias, Filho de Deus”, é uma proclamação de fé, uma conclusão do que Jesus falou, fez e o que aconteceu com Ele.

Nas Cartas de São Paulo e nos outros livros do Novo Testamento, são inúmeras profissões de fé da Comunidade do Novo Povo de Deus, a Igreja.

Lógico  que, lendo e acolhendo a Palavra de Deus, firmamos a nossa fé e o conteúdo de nossa fé cristã.
O evangelho de Lucas diz: “Também a mim me pareceu bem, depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio, escrevê-lo para ti segundo a ordem, excelentíssimo Teófilo, para que conheças a solidez daqueles ensinamentos que tens recebido” (Lc.1,3-4)

Na conclusão do Evangelho de João diz: “Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e para que crendo, tenhais a vida em seu nome” (JO.20,30-31).

Na Carta aos Hebreus, no capítulo onze, encontramos uma definição do que é a fé, também uma história da fé vivida por personagens bíblicos, começando por Abraão, “O Pai da fé”: “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê.” (Hb.11,1)

A fé vem da pregação diz a carta aos romanos: “Porém, como invocarão aquele em quem não têm fé?  E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?... Logo a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da Palavra de Cristo” (Rm.10,14.17). Ainda um pouco antes diz: “Portanto, se com tua boca confessares que Jesus é o Senhor e se em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. É crendo de coração que se obtém a justiça, e, é professando com palavras que se chega à salvação”. (Rm10,9-10).

Jesus encarregou os seus apóstolos de continuarem a sua missão, neles se fundamenta a Igreja, ao longo da história recebeu a incumbência de guardar como que num depósito, a nossa fé. Ela elaborou as orações que chamamos de “Creio”, que rezamos e proclamamos individual e comunitariamente, o conteúdo de nossa fé.

Nestes textos citados acima, até de maneira simples, fundamenta-se o “Creio”.

Diante das dificuldades da Igreja, na Evangelização, Catequese, num mundo cheio de filosofias, doutrinas falsas, ela teve que elaborar mesmo um compêndio de sua doutrina, um Catecismo, para ajudar na formação de novos cristãos; o Creio sintetiza a nossa fé.

“A fé, é um ato pessoal: a resposta livre do homem à iniciativa de Deus que se revela. Ela não é, porém, um ato isolado. Ninguém pode crer sozinho, assim como ninguém pode viver sozinho.
Ninguém deu a fé a si mesmo, assim como ninguém deu a vida a si mesmo. O crente recebeu a fé de outros, deve transmiti-la a outros.

Cada crente é como um elo na grande corrente dos crentes. Não posso crer sem ser carregado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo para carregar a fé dos outros.

“Eu creio”: ESTA É A  FÉ DA IGREJA, professada pessoalmente por todo crente, principalmente pelo batismo.

“Nós cremos”: ESTA É A FÉ DA IGREJA CONFESSADA PELOS BISPOS REUNIDOS EM CONCÍLIO OU, mas comumente, pela assembléia litúrgica dos crentes.

“Eu creio” é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus com sua fé e que, nos ensina a dizer: “EU CREIO, NÓS CREMOS” (Catecismo da Igreja Católica – artigo 2 – NÓS CREMOS).

Frei Filomeno dos Santos O.Carm.