Os homens de todos os tempos estavam sempre à procura, à busca de Deus, os magos do Oriente que na Estrela descobrem o sinal do rei, representam esta busca de toda a humanidade.
Ao descobrir a Estrela, eles se deixam iluminar e guiar por ela: “Nós vimos a sua Estrela” Jesus é a Luz do mundo que se manifestou para todos os povos, não só para um pequeno povo. Jesus é Luz, Salvação, para todos os povos. Lúmen Gentium.
Em meio à fúria do consumo, da globalização da economia que está gerando crise em todo o mundo, perda de bilhões de dólares, desemprego, mostrando a falência do sistema. Na terra de Jesus se mata em nome de Deus, guerras fratricidas na África, o absurdo do Pai Noel americano matando pessoas, na árvore de Natal dos soldados americanos no Iraque, uma caveira no lugar da Estrela de Belém, outras loucuras do nosso mundo, como a poluição do meio ambiente, desastres climáticos causados pelo homem.
A exemplo do Concílio Vaticano Segundo, a Assembléia dos bispos da América Latina e do Caribe em Aparecida, procuraram ler “os sinais dos tempos,” presentes em uma realidade ambígua e contraditória.
Para os Bispos, as condições de vida dos milhões e milhões de abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e em sua dor, contradizem o projeto do Pai e desafiam os cristãos a um maior compromisso em favor da cultura da vida.
O Reino da vida, que Cristo veio trazer, é incompatível com essas situações desumanas. Com o Vaticano II, discernindo “os sinais dos tempos” (33), constata que nossos povos, vivem uma realidade marcada por grandes mudanças (34). Claro que mudanças sempre houve. A novidade é que as atuais, com o fenômeno da globalização, têm um alcance muito maior, afetando o mundo inteiro. O ritmo é acelerado (33) trazendo conseqüências para todos os âmbitos da vida social inclusive para a religião (35).
O começo da fé em Jesus é a tentativa de ler “os sinais de nossos tempos” do modo como Jesus leu os sinais do seu tempo. Há semelhanças, mas também há diferenças. Não podemos nos limitar a repetir o que Jesus disse, mas podemos começar a analisar nossa época com o mesmo espírito com que ele analisou o seu tempo.
Teríamos que começar, como fez Jesus, pela compaixão – compaixão pelos milhões de pessoas que morrem de fome, por aqueles que são humilhados e rejeitados, e pelos bilhões de pessoas do futuro que vão sofrer por causa do modo pelo qual vivemos hoje. Somente quando descobrirmos nossa humanidade comum, como fez o bom samaritano, é que começaremos experimentar aquilo que Jesus experimentou. Somente aqueles que consideram a dignidade do homem como um valor acima de todos os outros é que estão de acordo com o Deus que criou o homem à sua imagem e semelhança e que “não faz acepção de pessoas” (At.10,34)
A fé em Jesus sem o respeito e a compaixão pelo homem é mentira. Identificar-se com Jesus é identificar-se com todos os homens.
A procura dos “sinais dos tempos”, segundo o espírito de Jesus, implica, então, identificar todas as forças, que estão trabalhando contra o homem, como forças do mal.
Jesus não quer ser servido por nós, ele quer nos servir; ele não quer que lhe sejam atribuídos a mais alta honraria e o maior status na nossa sociedade, ele quer assumir a posição mais humilde, e não quer nenhuma honraria nem status; ele não quer ser temido e obedecido, mas quer ser reconhecido nos sofrimentos dos pobres e dos fracos; ele não tem uma suprema indiferença e desinteresse, mas está irrevogavelmente comprometido com a libertação da humanidade, porque quis se identificar com todos os homens, num espírito de solidariedade e compaixão. Se esta for uma imagem verdadeira de Deus, então Deus é mais verdadeiramente humano, mais plenamente humano do que qualquer ser humano. Ele é aquilo que Schillebeeckx chamou de Deus humanissimus, Deus sumamente humano.
Diante do Deus que se revela na Estrela de Belém, deixemo-nos iluminar, clarear a inteligência, sigamos nós também a estrela, prostrando-nos oferecemo-lhe nossos presentes.
Frei Filomeno dos Santos O. Carm.