Já aprendemos na catequese que Deus veio nos visitar através de seu Filho Jesus Cristo. Mas penso que ainda não tenhamos aprendido que sua visita é constante na nossa vida. Isso significa que em todas as coisas, até nas mais corriqueiras, o Senhor está presente. Mas será que esta presença tem sido um presente para nós?
O pior é que não nos damos conta de que até os momentos tristes e de profunda desolação são propícios para esse encontro com Cristo e ficamos esperando momentos especiais de forte consolação para podermos dizer que Deus está conosco. Mas isso parece não ser justo, pois a palavra de Cristo é clara: “Eis que estou convosco todos os dias” (Mt.28,20)
A falta de confiança e de fé tem tomado conta da humanidade. Por isso encontramos milhares de pessoas muito indecisas sobre o que escolher, ou sobre o que fazer na vida. Ainda não percebeu que o caminho não pode ser feito sozinho, que Cristo como aquele mendigo de nossas almas, e daí sim, poderemos saborear de um encontro mais profundo conosco mesmos e com as pessoas que estão ao nosso redor. O fato é este: Ele vem até nós, nos surpreende a cada dia, mas a gente ainda não abriu os olhos para esta realidade. Tem uma oração lindíssima que diz: “Que posso eu, ó Senhor, se não vens a mim com a costumeira inefável cortesia?” Por que será que não temos a cortesia de abrir-lhe o nosso coração?
O instrumento para conhecer, se aceito o Cristo é a mudança que vejo em mim. E Ele se faz mendigo de minha alma porque sabe que o meu eu mais profundo só poderá encontrar felicidade e realização na medida em que for semelhante a Ele.
Quantas vezes rezamos aquela jaculatória: “Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso!” E ela está correta porque faz com que tenhamos a disposição para acolher a novidade de Deus no nosso cotidiano. É aquela verdade do Evangelho: “Onde está o teu coração, aí está o teu tesouro”. E quando seguimos por amor o que nosso coração indicou não há possibilidade de engano, e fazemos tudo o que estiver ao nosso alcance para encontrar o tesouro. Gostaria de encerrar com uma história do peregrino do amor:
“Um velho peregrino estava a caminho das montanhas do Himalaia, no cortante frio do inverno, quando começou a chover. Disse-lhe o dono da hospedaria: - Como conseguirá chegar lá com este tempo, meu bom homem? O velho respondeu alegremente: Meu coração chegou lá primeiro, assim, é fácil para o resto de mim segui-lo.”
Que Deus abençoe a todos. E que Deus continue pedindo sempre nas portas do nosso duro coração uma chance para ficar conosco.
Pe. Márcio Luís Fernandes, padre Claretiano
Professor do Studium Theologicum de Curitiba.