Deus me chamou
 

É certo, de que quando falamos que Deus nos chamou, não estamos querendo dizer que Ele soprou nos nossos ouvidos, que ouvimos a sua voz. Na vocação, existe no homem uma pré-disposição que lhe dá sentidos novos para escutar a voz de Deus.

Quando fazemos as perguntas essenciais da vida: Quem sou eu? De onde vim, para onde vou? Qual o sentido da minha vida? Para que sirvo mesmo? Estamos já à procura da nossa vocação e as respostas encontradas à luz da fé, respondem à minha vocação humana.

O homem se coloca à procura e encontra Deus que já antes também o procurava, por isso a vocação é o encontro de duas procuras e de um encontro de amizade, de amor correspondido que nos faz feliz.

A inteligência iluminada pela Luz do Espírito, abre-nos horizontes que nos fazem captar nas coisas criadas, na Beleza, Perfeição, até nas pequenas coisas, sinais da Presença do Criador. Mas a vocação envolve também uma relação pessoal do “Eu” com o “Tu”, que de certo modo faz nascer um “Nós” amoroso que determina novas relações. Isto se dá na relação de um homem e uma mulher na vocação matrimonial. Mas também na relação de Deus com o homem chamado que realiza uma “Aliança de Amor”, que preenche de sentido toda a sua vida, nascendo daí a vocação religiosa, sacerdotal.

A Palavra de Deus só pode tocar o coração daquele que está disponível, em estado de escuta. Somente quem é pesquisador de Deus, enamorado do silêncio, que vive à “escuta de Deus”, pode ouví-Lo.

Quando Deus chama alguém, chama para viver com ele e envia em missão. Assim podemos ver os personagens bíblicos, como: Moisés, Abraão, Isaías, Jeremias, João Batista e os discípulos e apóstolos de Jesus.

Deus faz uma “Proposta” e a pessoa é livremente chamada a dar uma “Resposta”. Deus é responsável por mim e eu me torno responsável por Ele, pelo Reino.


A vocação é diferente de uma profissão, os critérios são outros. Os critérios do mundo, chamam-nos ao sucesso, prestígio, à eficiência, a fazer uma carreira financeira. Os critérios da vocação cristã têm como modelo a pessoa de Jesus Cristo, por isso a disposição de seguí-Lo, nos faz despojar de nós mesmos e revestir-nos de Cristo. A simplicidade, pobreza, disponibilidade em servir, “porque o Senhor veio para servir e não ser servido”. É preciso ter a coragem de fracassar, de sofrer perseguições e fazer-se solidário com os outros, principalmente “Àqueles preferidos de Deus”.

Às vezes, quem chama é Jesus, os próprios discípulos convidam outros. João Batista aponta o “Cordeiro de Deus”, a própria pessoa se apresenta para seguí-Lo.
O chamado de Jesus acontece no cotidiano da vida, no trabalho, na pesca. É tão envolvente que o chamado sabe a hora em que aconteceu, “era pela três horas da tarde” e nas circunstâncias que se sucederam.

Jesus chamou a si os que Ele quis, eles têm liberdade na resposta: “Sim”, “Não”, “me dá um tempo”.

E eles foram até Ele: têm liberdade e iniciam um “êxodo”, passam a viver em comunhão com a Trindade e na Comunidade dele.

Jesus constituiu os doze, para ficarem com Ele. À medida que vivo na Comunidade há uma mudança no meu ser, novo parentesco com Jesus, “não nasceram da carne, mas do Espírito”.

E os enviou para: pregar a Boa-Notícia do Reino, expulsar demônios. (Mc.3,13-15)

Qual a sua vocação? O Senhor chama para seguí-Lo como discípulos Dele e depois nos envia como missionários, para que Nele nossos povos tenham Vida e Vida em abundância. (Jo.10,10).

Frei Filomeno dos Santos O.Carm.