A fraternidade e a dimensão contemplativa da vida caracterizam a missão do Carmelo como modo de ser e de agir na comunidade eclesial e no mundo para a edificação do Reino de Deus.
Que formas assume o Carmelo em meio ao povo?
A forma de acolhimento (Regra Cap. 13): para condividir a experiência de fraternidade e a busca dos valores do Espírito, juntamente com os outros. É preciso lembrar-se que na tradição dos Frades Mendicantes o convento é considerado o lugar do “convenire” (convivência), da familiaridade com o povo e não simplesmente um lugar de residência.
A forma de itinerância (Regra Cap. 13): empenho para seguir os caminhos traçados pelo Espírito no mundo. Este é o significado originário e mais autêntico da itinerância se exprime como serviço generoso e criativo de evangelização, serviço que se adpta ao gênero de vida dos povos e sabe entrar em diálogo com as culturas várias.
A forma de promoção humana orientada para a solidariedade com os pobres e à conscientização dos valores da justiça, da paz, dos direitos humanos.
Modelos Inspiradores: Elias e Maria
O modelo Eliano:
A forma Eliana do serviço em meio ao povo
O anúncio da Palavra: os autores carmelitanos (como Soreth, Miguel de S. Agostinho, José M. Sardi...) associam o ministério de Elias à palavra do Cap. 14 da Regra: “A palavra de Deus esteja com toda a sua riqueza na vossa boca e no vosso coração...”
O testemunho do Absoluto de Deus: os autores carmelitanos sublinham este testemunho como luta contra a idolatria, lembrando o sacrifício de Elias no Carmelo.
Promoção da justiça e solidariedade com o povo pobre e oprimido: são leituras novas.
A forma Mariana da diaconia em meio do povo:
A - Companheira da fé. A tradição do Carmelo vê em Maria uma simples e humilde, capaz de caminhar com os homens e as mulheres de hoje, mas especialmente com os pobres: “são tantos os pobres e humildes sobre esta terra; eles podem sem temor levantar os olhos para ti. Tu és a incomparável Mãe que caminha com eles na sua mesma estrada” (Tereza de Lisiex). À luz do mistério de Maria, estar em companhia dos últimos significa mergulhar nos problemas deles, nas suas angustias e exílio existencial (“Tereza de Lisieux: Tu, ó Mãe, conheces todas as exigências do exílio”).
B - Humanização do mundo: é impressionante verificar como as antigas lendas da Ordem, de forma insistente, ressaltam a atitudes de proteção e de cuidado com que Maria trata os homens. Pergunto-me se esta insistência revela a consciência do Carmelo de estar a serviço da construção de uma igreja e de um mundo dignos do homem: não de uma Igreja fechada no juridiscismo dos “Princípios”, mas aberta e acolhedora como Maria; não de um mundo distante e indiferente, mas mais atento e comprometido com os problemas da humanidade, como Maria. A presença de Maria oferece uma orientação mais humanizada ao nosso serviço apostólico (E. Stein) porque leva a buscar a conversão integral do homem aos valores que dão qualidade à existência: a solidariedade, a ternura, a simplicidade, a paz, a alegria....
Frei Egídio Palumbo, O Carm
(Publidado no Jornal Diário do Noroeste do dia 15/10/2006)