NÃO TENHAIS MEDO...(Mt.10,23-33)
 

A situação social e econômica que é causa de exclusão social, traz à sociedade um clima de insegurança, violência, desemprego. As oportunidades “fáceis” de ganhar dinheiro a qualquer custo, deixando de lado princípios morais, como o tráfico de drogas, contrabando, deixa as pessoas com muito medo.

Medo de perder o emprego, salário, a estima dos superiores, de serem assaltados e perderem os próprios bens, de perderem a posição social, de serem castigados, de perseguição dos familiares, de perder a própria vida.

Muitos dizem: não dá para sair de casa para ir numa reunião ou na missa e deixar a casa sozinha.

Como discípulos e discípulas de Jesus, somos convidados a dar testemunho da nossa fé na sociedade e também firmeza dos valores evangélicos diante de valores da sociedade consumista e materialista, onde a competição faz dos outros adversários a serem derrotados e não irmãos. Por isso, precisamos do dom da Fortaleza para não esmorecermos na nossa missão.

Para que o medo não nos paralise, nos impeça do: medo vergonhoso de falar claramente de Deus. De dizer não à mentira, da retidão de consciência, na honestidade e correção no exercício da profissão.

Um pregador do Evangelho tem medo, antes de tudo porque receia que, por causa da violência desencadeada contra ele pelos inimigos de Cristo, a sua missão fracasse. A tarefa deles é somente semear na certeza que apesar de tudo, a semente produzirá frutos.

O que aconteceu com Jesus é revelador. Os seus inimigos tinham certeza de tê-Lo derrotado para sempre, de ter colocado uma pedra enorme e irremovível em cima Dele e de sua Mensagem, mas na Páscoa Ele ressuscitou para uma vida nova exatamente como a semente que jogada na terra, morre mas brota e se multiplica.

Quantas vezes por medo fomos covardes, mentimos, praticamos violências e injustiças. Quem tem medo fica bloqueado, não consegue fazer aquilo que o conduziria à plena realização da própria vida e portanto “perece”.

Jesus não promete a seus seguidores que nada lhes acontecerá de mal, mas sim que Deus de algum modo providenciará o verdadeiro bem deles, se tiverem a coragem de permanecerem fiéis. Ele os reconhecerá diante do Pai, por terem testemunhado diante dos homens.

Talvez nos dias de hoje, não haja o perigo de sermos condenados à morte como acontecia com os cristãos das comunidades de Mateus, mas a perseguição existe, e é sempre muito forte. É perseguido o estudante cristão que sofre gozação dos colegas porque durante as festas não abusa das moças como fazem os outros; é perseguido o comerciante que não pode garantir altos lucros porque se recusa a “bancar o esperto”; é perseguido aquele que não aprova um comportamento imoral ainda que todos façam assim; é perseguido aquele que é motivo de gracejos porque “não tem uma amante”; é perseguido...

Ao longo do Evangelho, Cristo repete várias vezes: “Não tenhais medo... Não temais...” E ao mesmo tempo com esses chamamentos à fortaleza, faz ressoar a exortação: “temei, temei antes aquele que pode enviar o corpo e a alma para o inferno.” (Mt.10,28)

Tanto em Deus, como em Jesus a providência divina promete segurança e proteção àqueles que O temem. “Não temas...” “Eu estou contigo...”

Assim, a fé em Deus é fonte duma confiante segurança que afasta até o simples medo humano. Uma lição tantas vezes repetida acaba por entrar para a vida. Firmados na sua confiança em Deus, os verdadeiros crentes afastam para longe de seu coração todo temor. (Sl.23,4;  27,1; 91,5-13).
                                                                    

Frei Filomeno dos Santos O.Carm.