Frei Klenio Perosso Gonçalves, O.Carm.
Dentro da História da Ordem do Carmo, com mais de 800 anos de tradição, são inúmeros os exemplos de frades, irmãs, monjas, leigos e leigas, verdadeiros testemunhos de vivência do Carisma Carmelitano. Carisma esse, que desde o Monte Carmelo inspira homens e mulheres a seguirem Cristo, servindo o irmão.
Quando olhamos atentamente o dia-a-dia dos Carmelitas, vemos que a partir de uma tríplice junção entre oração, fraternidade e profetismo, há uma intrínseca vivência da contemplação. Ao mesmo tempo em que vivem a glória da ressurreição do Senhor, participam do calvário e da Santa Ceia, partindo o pão e fazendo o lava-pés.
A oração é o ponto de partida de toda atividade diária. Lectio – Divina, Liturgia das Horas, meditações, exercícios espirituais e principalmente a Santa Missa são partes fundantes desse carisma. Isso faz com que nasça no coração de cada um a sua própria oração, e de maneira aspirativa já não se sabe mais se pela boca são ditas palavras humanas ou são a própria Palavra de Deus.
A fraternidade é o testemunho de uma vida orante. Quando o Carmelita olha para o próximo é o próprio Cristo que deve resplandecer no semblante do irmão, dessa forma como criaturas humanas mas ao mesmo tempo revelando a figura divina, é no amor “ágape” que uma sólida vivência fraterna é construída.
O profetismo por sua vez é o puro aprofundamento da fraternidade. Ser carmelita é ser profeta e olhar o mundo com os olhos de Deus, por isso é possível dizer que profetizar é uma das mais belas conjugações do verbo amar. Esta relação de amor é o ponto em que o primeiro mandamento deixa claro, “Amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo”. Por essa razão o Carmelita torna-se um lutador ou seja, um guerreiro do Senhor na busca da justiça e da verdade, tendo como a melhor e indispensável arma a “Palavra de Deus”.
É impossível nesse carisma desvincularmos essa tríplice junção, pois cada um dos seus pontos são indispensáveis ou seja, para chegar a contemplação que é estar face a face com Deus deve-se viver primeiro a oração, a fraternidade e o profetismo. A vida do Carmelita é uma vida de serviço em um meditar dia e noite na lei do Senhor, com reta consciência e puro coração; e como diz Tiago, “o que seria da fé sem as obras?”, então ser Carmelita é viver “por Cristo, com Cristo e em Cristo”, seguindo seus passos e fazendo sua vontade.
Sendo assim, podemos concluir que o Carmelita só entende o caminho a Jesus, se passar primeiro pelo irmão, dedicando a ele, ou a ela, seu serviço e amor. Pois está escrito no evangelho: “Todo aquele que quiser ser o maior entre vós, será vosso servo, e quem quiser ser o primeiro, será vosso escravo”. A missão do Carmelo hoje é promover entre os povos a fraternidade orante e profética, para que juntos possamos construir uma Civilização do Amor.
“CARMELO: UM JEITO FASCINATE DE SEGUIR JESUS”
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