A experiência religiosa, do homem, faz dele um peregrino que busca sair do “seu mundo” para penetrar no “mundo da divindade”. Por isso encontramos em várias religiões a peregrinação para o santuário.
As celebrações, com orações, ofertas e de certo modo uma catequese, educam-no a viver no dia-a-dia mais religiosamente.
Na Bíblia encontramos esta peregrinação para “o lugar” onde está Deus: no Monte, no santuário, no lugar sagrado onde aconteceu uma manifestação de Deus.
A disposição para se fazer um peregrinação demonstra a gratidão pelos dons recebidos, e portanto uma “ação de graças” que às vezes se manifesta “na oferta de gratidão”;; a atitude de que a pessoa esta disposta à mudança de vida, à conversão, isto se dá no pedido de perdão e também numa atitude penitencial na caminhada, sacrifício e em determinados gestos.
A festa solene no santuário faz de certo modo o fiel participar da “Festa de Deus”( Banquete) e saborear aqui na terra um pouquinho do céu.
Em certos momentos da história da Igreja a mistura entre sociedade e Igreja traz uma certa confusão e a vida da Igreja já não traz tanto ânimo e fervor. Por isso certa parcela do povo começa uma busca de contato mais direto e imediato com a Palavra de Deus. Ora, desta leitura do Evangelho surge aos poucos o desejo de uma vida mais de acordo com o Evangelho.
A reação e o descontentamento começam a se concretizar numa espécie de “êxodo”, saída para o “deserto”, para a solidão. Isto nós vemos presente hoje quando se participa de “um deserto”, de um retiro, isto anima-nos a seguir os passos de Jesus.
A peregrinação para Jerusalém, à Terra Santa, começa a surgir no horizonte das aspirações do povo como o grande ideal que começa a polarizar tudo: A Terra Santa é a terra onde Jesus anunciou o Evangelho em toda a sua novidade. É a terra em que os primeiros cristãos deram forma nova à vida fraterna ou apostólica.
A espiritualidade é seguir os passos de Jesus, nos lugares onde Ele viveu e de se colocar em prática o que Ele ensinou, Ele é o Senhor da Terra.
Mas lá também tem uma “Senhora”, a dona do lugar: Maria. Por isso a peregrinação é também seguir os passos de Maria.
Hoje, quando peregrinamos à Aparecida do Norte a disposição que deve nos impulsionar é de visitar a “a Casa da Mãe”, seguir seus passos, “e fazer tudo o que ela nos disser”, e dentro do espírito da Conferência do Celam realizada em Aparecida, vivermos melhor como “Discípulos e Missionários de Jesus Cristo”.
Saia de si e caminhe ao encontro e a serviço do outro. Saia “do seu lugar” e caminhe para “o lugar de Deus”, para que o seu lugar torne-se o lugar de Deus.
Frei Filomeno dos Santos O.Carm.