Quando falamos de missão e missionário nos dias de hoje, temos que ter em mente alguns conceitos básicos, de Igreja, Evangelização, ser cristão, e também as realidades que caracterizam o mundo moderno em que vivemos.
A realidade de missão parece-me que inclui um conceito de movimento, de dinâmica.
A Trindade, Comunidade de Amor contém um movimento do Pai para o Filho, do Filho para o Pai no Espírito Santo. Esta dinâmica de Amor e Vida expande-se para fora na criação de todas as coisas, mas principalmente na criação do homem: “façamos o homem a nossa imagem e semelhança”. A dinâmica continua quando o Deus-Amor decide a salvação do homem que havia criado: “Deus tanto amou o mundo que, quando éramos pecadores, enviou o seu Filho ao mundo para salvá-lo.”
O Filho é enviado como missionário do Pai, Jesus é o primeiro missionário. Jesus, desempenha a sua tarefa anunciando o “Evangelho”, Ele próprio Evangelho de Deus, foi o primeiro e o maior dos evangelizadores. Ele foi isso mesmo até o fim, até a perfeição, até o sacrifício de sua vida terrena, movimento em sinais de misericórdia salvadora, doadora e reveladora do Amor.
Aqueles que acolhem com sinceridade, a Boa-Nova, por virtude desse acolhimento e da fé compartilhada, reúnem-se portanto em nome de Jesus para conjuntamente buscarem o reino, para o edificar e para o viver. Eles constituem uma comunidade também evangelizadora. A Igreja nasce assim da ação evangelizadora de Jesus e dos doze. O movimento pedagógico missionário continua pois quando Jesus envia os discípulos: “Ide, pois, ensinai todas as gentes.”Mt.28,19. A Igreja continuou a missão de Jesus, promovendo, defendendo e gerando vida, influenciando as relações na sociedade e a transformação do pensamento e da cultura. Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa-Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade. “Eis que eu faço novas todas as coisas.” Ap.21,4
“Para a Igreja não se trata tanto de pregar o Evangelho a espaços geográficos cada vez mais vastos ou populações maiores, mas de chegar a atingir e como que transformar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam , os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade.” (Paulo VI – Evangelii Nuntiandi nºs. 19-20)
A Igreja é: “O Povo de Deus em marcha” com vários carismas e ministérios. Por isso cada batizado na dignidade comum e na diversidade das funções, dos fiéis leigos, dos ministros sagrados e consagrados, e todos os fiéis foram incentivados a edificar a Igreja, colaborando em comunhão para a salvação do mundo. Os sacerdotes e religiosos têm a sua missão, mas hoje mais do que nunca destaca-se os ministérios dos leigos na Igreja, nestes tempos da pos-modernidade, de globalização, Internet; o apostolado dos leigos no mundo da cultura, da arte e do espetáculo, da investigação científica, do trabalho, dos meios de comunicação, da política, da economia, etc. e, pede-lhes criatividade na busca de modalidades cada vez mais eficazes para que estes ambientes encontrem em Jesus Cristo a plenitude do seu significado. (Gaudium et Spes. Nº 43, C.V. II)
Vários são os passos e os modos de evangelizar: as diversas formas de serviço ao próximo e à sociedade, o diálogo cultural e religioso, o anuncio explícito do Evangelho e do patrimônio da fé da Igreja, bem como o testemunho de vida cristã e de comunhão fraterna e eclesial. A pessoa humana, com suas pobrezas e carências, mas também com sua dignidade intocável, é sempre o grande destinatário e o primeiro beneficiário da Boa-Nova da salvação; ao mesmo tempo esta é também uma proposta para a constante renovação e revitalização da comunidade humana e eclesial, e para a formação do povo de Deus, conforme o desígnio do próprio Deus. Mediante a sua ação evangelizadora, a Igreja quer participar da ingente tarefa de construção de uma sociedade justa e solidária e animar a todos na esperança, a caminho do Reino definitivo” ( Diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil – na apresentação.)
Esta missão e tarefa é de cada um de nós, de viver, testemunhar, de transformar, santificar o mundo, e por isso você também é missionário.
Frei Filomeno dos Santos O. Carm.
(Publicado no Jornal Diário do Noroeste no dia 07/10/2006)