A ÁGUIA E A CRUZ
 

 Vivemos no tempo das comunicações, onde o mundo se tornou uma pequena aldeia, pelas ondas magnéticas e eletrônicas.

Mais do que nunca os símbolos têm uma conotação muito forte, os símbolos de um determinado grupo financeiro ostenta o seu poder ao redor do mundo.

As marcas de uma determinada bebida, alardeiam a felicidade, a modernidade, principalmente no grupo da juventude.

Os símbolos de carros, das roupas de grifes, trazem em si a marca do prestígio, do sucesso, de uma vida bem sucedida.

A linguagem da Internet, num emaranhado de sinais e símbolos criam novas relações, de fantasia, de ilusões, de relações interpessoais; quando se procura novas relações, que no entanto, não realizam mas frustram os anseios de realização.

Diante deste panorama, poderíamos nos reportar aos tempos de Jesus. Também naquela época o mundo estava em ebulição, diante da modernidade que se apresentava a povos tradicionais, como o povo da Palestina.

A cultura, que então se propagava, trazia a modernidade da cultura grega, imposta ao mundo pelo poder do Império romano.

Uma nova visão do mundo e do homem, que vinha nas asas da Filosofia grega, que cultuava o raciocínio, o culto ao Belo que estava presente na Literatura, na Arquitetura, nas Artes e na busca daquilo que representava o culto do corpo, “uma mente sã, num corpo sadio”, isto estava presente nos acontecimentos dos “Jogos Olímpicos”.

A Águia Romana levada pelas hostes do exército se fazia presente; conquistava de dois modos, militarmente e pela cultura.

A pompa das celebrações na visita do governador, os estandartes, os clarins anunciando a sua chegada, “a benevolência” na distribuição de alimentos e espetáculos circenses, eram demonstrações do senhorio e do “Reino de Paz” que o império espalhava.

Tudo isso, era uma propaganda que tinha influência.

O “Reino” propagado, aqui e naquele tempo, seduzia e seduz, a muitos. Mas os frutos desta abundância, sucesso e poder, beneficiava a uma minoria e deixava uma multidão na miséria e dependência, e excluída.

Imagine o impacto que trouxe aos costumes morais, religiosos, familiares, dentro de uma tradição comunitária, de crença num Deus único, que trazia um projeto de uma sociedade fraterna, solidária e igualitária.

Então, neste contexto aparece Jesus, pobre no meio dos pobres e fazendo parte do grupo dos excluídos. Traz um “Projeto Novo”, o “Reino de Deus”, que alimentava o sonho da ação de Deus, no meio dos homens, Reino de amor, justiça, partilha e fraternidade.

O Mestre e realizador deste Reino, Jesus de Nazaré prega um jeito diferente de viver que entra em confronto direto com o império romano. O símbolo que marca é a cruz, assim como o gesto do lava-pés.

Enquanto os jovens hoje, usam tatuagens, percings e determinado tipo de roupa para se mostrarem modernos; os cristãos usam o crucifixo de vários modos, no tempo de Jesus, o símbolo secreto de pertença ao grupo de seguidores de Jesus era o peixe.

Jesus aparece como um fracassado, derrotado, que morre como um criminoso pregado na cruz, ressuscita e convida-nos a seguí-Lo.
Ontem e hoje, somos desafiados a fazer a nossa escolha, tomar a nossa decisão.

Qual marketing me conquista e me convence? “Para vivermos na liberdade, foi por isso que Ele nos libertou”. (Gl.5,1) “Eu vim para que todos tenham Vida e a tenham em abundância”. Jo.10,10)
           
 Frei Filomeno dos Santos O.Carm.