Amados Irmãos.
É a terceira vez que venho ao Brasil. Mesmo assim devo dizer que o meu portugês não melhorou muito. Assim eu peço a licença de vocês para eu me dirigir a vocês em Alemão. Quatro semanas atrás, a participação no capítulo do comissariado não estava nos meus planos. Nem pensar na função de provincial. Verdade é que os meus pensamentos não eram os pensamento de Deus. Confiando na palavra de Deus que foi programada no início do capítulo provincial extraordinário, Is 43,5: não tenhas medo, eu estou contigo, eu vi que não mais tempo eu me pude negar. Confiando na ajuda de Deus, eu respondi “sim” para esta função e o desafio que ele vai ser para mim. Quero aproveitar para lhes agradecer pelo voto de confiança que vocês me deram na eleição prévia. Venho trazer também as saudações de todos os confrades lá na Alemanha. Eles se sentem nestes dias unidos a vocês nas suas orações.
Uma vez que o comissariado provincial da Índia se tornou a província de São Tomé na Índia no rito siro – malabar, a nossa atenção e responsabilidade agora se concentra no comissariado no Brasil. Com isso eu não quero dizer que os nossos irmãos na Índia não precisam mais da nossa ajuda. Temos um contrato sobre a continuação da nossa ajuda. Mas significa também um desafio e uma tarefa para os irmãos na Índia procurarem o seu caminho para o futuro na independência e na responsabilidade. No mês de maio, eles estarão celebrando o seu primeiro provincial.
Você continuam em ligação estreita conosco na província mãe. Como governo da província, nós estamos conscientes disso e queremos cumprir com a nossa responsabilidade. Todos os irmãos na Alemanha se sentem com o comissariado como parte de um todo. Procuramos com forças unidas encontrar caminhos para vivermos com autenticidade o nosso carisma carmelitano – vocês no comissariado no contexto da América Latina e nós na província mãe na nossa realidade européia.
De maneira diferente, de acordo com cada continente todos nos encontramos num processo de crise e de transformação. Não é fácil nesta situação de transformação na igreja e no mundo, aceitar uma responsabilidade. Confiamos na ajuda de Deus. O Senhor há de acompanhar os nossos esforços com a sua bênção. Ele estará conosco em todos os caminhos e em todas as decisões – também agora neste capítulo.
Nossa primeira tarefa como carmelitas é buscar a face do Deus vivo na oração, na fraternidade e no serviço. A primeira meta dos carmelitas é o obséquio de Jesus Cristo. Este seguimento continua a missão de Cristo que é anunciar o amor de Deus próximo de nós e o valor inestimável de cada ser humano. O Carmelo tomou a sério a mensagem do evangelho de ir até os confins da terra e proclamar ali que os últimos serão os primeiros. Sempre de novo se realizou durante os séculos. Hoje os carmelitas estão atuando em diversas camadas da sociedade, estão lecionando em universidades e estão missionando indo além das fronteiras nacionais. Nenhum serviço foi considerado como não compatível com o carisma do Carmelo. No entanto, todo serviço é suspeito se não tem como fundamento a abertura contemplativa para a ação de Deus. “Entrar no Carmelo” não significa somente entrar num prédio, entrar numa comunidade e aceitar um serviço, seja oração ou apostolado. Sem dúvida é isso também. Mas “entrar no Carmelo” significa também estar comprometido num processo que acontece bem no fundo de cada ser humano. Este processo
No qual o Espírito de Deus se encontra com o espírito do homem, dificilmente pode ser definido em palavras. O Carmelo é uma terra de realidades opostas. Terra que coloca numa vida de tensões. Nesta terra existe deserto e jardim; calor e frio; escuridão e luz; fome e fartura.
É um lugar da ausência de Deus que surpreende em deixar sentir a sua presença sensível; é um lugar de sofrimento, que sara pela mesma chama que fere. É um lugar sem caminhos nem estrelas. Mesmo assim o peregrino, de maneira maravilhosa é guiado até em casa.
Esta esperança da realidade a uma esperança essencial do ser humano: “o centro da alma é Deus”, escreveu São João da Cruz. Os Santos e místicos do Carmelo experimentaram esta transformação quando se fixaram neste centro. Eles pensaram que estavam buscando a Deus, e descobriram que este centro já estava perto deles desde o começo. A história da humanidade não é a história da nossa busca de Deus, mas história do amor de Deus, que nos procura. Os Santos do Carmelo concluíram que tudo é graça. O amor a quem encontraram na sua busca os convidou a encontrar mais profundamente a sua própria vida, os libertou dos seu ídolos, atrai para a união com Deus e os enviou para o servir aos irmãos e às irmãs.
É necessário o testemunho da nossa vida concreta como carmelitas. Não é suficiente o testemunho que estamos dano através do nosso engajamento social e pastoral - não querendo diminuir a sua importância – é indispensável o testemunho na concreta vida comunitária do dia-a-dia. Isso não pode estar faltando na formação. Diferente da província mãe, vocês tem confrades jovens. Apenas poucos dias atrás fizeram três confrades jovens os seus primeiros votos. Dois se ordenaram sacerdotes no ano passado. Na província mãe passaram-se dez anos desde a ultima ordenação sacerdotal. A data dos últimos votos solenes foi dois anos atrás. Causa-me alegria e otimismo vendo no comissariado relativamente muitos frades jovens. Mas também vejo com preocupação o fato que tantas vezes confrades, inclusive com ordenados ou com votos perpétuos decidem sair da comunidade. Certamente são os motivos para isso diferenciados. Mas surge a pergunta sobre a qualidade do nosso testemunho carmelitano tanto como indivíduo quanto como comunidade.
Caros confrades, desejo-lhes para este capítulo e para todo o triênio, e também para nós na província mãe que possamos descobrir na nossa concreta situação histórica o que deus quer de nós e o que será para a nossa salvação. Agora é o tempo da graça em que Deus olha para nós. É agora o kairos, bem dentro deste tempo de crise e transformação. Kairos para descobrirmos e abraçarmos novamente o essencial da nossa vocação – não deixemos passar sem nos tocar.
A nossa Senhora do Carmo, nossa irmã e mãe, o nosso pai Elias assim como todos os santos e beatos do Carmelo seja os nossos intercessores. O nosso Deus fiel e bom nos acompanhe com a sua bênção.
P. Dieter Lankes O.Carm.