Caros irmãos e irmãs “Isso é o maior poder do homem que ele é capaz de atirar os seu pecados por cima de si mesmo diante de Deus. Mas ele deve contar com tentações até o ultimo suspiro” assim escreveu o Santo Antão cuja festa estamos celebrando hoje.
Uma das maiores tentações de nós homens consiste em que usamos Deus para os nossos próprios interesses.
A leitura de hoje (1Samuel 4,1-11) que acabamos de ouvir serve muito bem de exemplo para isso: os Israelitas crêem que Deus está do seu lado enquanto eles tem a arca da aliança no seu meio. Os Philisteos não poderão vencer de novo. Mas não acontece assim como eles pensam. A arca de Deus não é Deus. A derrota de Israel não é Deus.A vitória dos Philisteos não é Deus. Quando homens fazem guerra, uns contra os outros, isso nunca tem alguma coisa com Deus. Deus não se deixa manipular pelos interesses dos homens. Quem pensa assim não compreendeu a Deus nem o nosso carisma carmelitana. Não enxerga o mundo, nem o ser humano, nem o irmão nem a irmã do seu lado, nem a si mesmo com os olhos de Deus.
Viver no seguimento de Cristo significa para nós Carmelitas, buscar o rosto do Deus vivo, viver em fraternidade e estar aberto para o serviço no meio do povo. (veja Constituição 14) Nesta atitude aprendemos a ver a realidade com os olhos de Deus. A nossa relação para com o mundo se transforma no seu amor. Isso com certeza vai refletir na nossa vida fraterna o no nosso servir.
Não podemos esquecer de que a iniciativa sempre é de Deus, não de nós homens. Por isso a contemplação é a base para o caminho interior do Carmelita que vive num habito de abertura para Deus cuja presença podemos descobrir em todo lugar. O caminho interior do Carmelita começa com a livre iniciativa de Deus que nos atinge e transforma.
A contemplação não é somente a fonte da nossa vida espiritual. Ela também da o valor da nossa fraternidade e do nosso serviço no meio do povo. Quem aprende a enxergar o mundo ao seu redor com os olhos de Deus torna-se também atento ao bem-estar espiritual e pessoal dos outros por meio do diálogo e da reconciliação. Quem aprende a olhar o mundo ao seu redor com os olhos de Deus, torna-se capaz de enfrentar os desafios da sociedade e de dar repostas autenticas a partir do evangelho.
Nós cremos que Deus fez a sua morada no meio dos homens – mas não porque nós o deixamos viver conosco, e sim porque Ele decidiu fazer dar este passo. Deus cumpre a sua palavra: “Eu-estou-aqui” palavra esta que em Jesus Cristo se tornou palpável e visível. Foi ele quem nos disse: ”eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo.” (Mt 28,20)
(Tradução feita por Frei Afonso Pflaum, O.Carm.)