CONGREGAVIT NOS IN UNUM CHRISTI AMOR
“CONGREGOU-NOS UM ÚNICO AMOR DE CRISTO"
800 ANOS DA REGRA DO CARMO – 1207 – 2007
CARTA DOS SUPERIORES GERAIS O.CARM. – OCD
...Continuação
10. “ALARGA O ESPAÇO DA TUA TENDA (IS.54,2). A FRATERNIDADE” (REGRA 4, 5, 7, 9, 12).
A Fórmula de Vida é dirigida a “B e aos outros eremitas” (R. 1). Jesus Cristo é a razão da sua união e o motivo da sua obediência voluntária a um irmão, que aceitam como guia do seu projeto de vida. Isto olha em frente no tempo, mas inspira-se no passado: nos pais da Igreja (sancti Patres) (R. 1), na Igreja de Jerusalém, através do seu Patriarca, e em todas as igrejas e aqueles que vêm até nós (R. 9), até que o Senhor regresse.
Caminhamos sozinhos, mas junto aos nossos irmãos e irmãs procuremos o rosto do Deus vivo. Estes são os grandes santos que iluminam o Carmelo e a Igreja e todos aqueles com quem dividimos hoje a vida, encontrando na sua comunhão a força e a alegria do carisma.
11. “PROTEJA COM O PROFETA OS SEUS CAMINHOS” (REGRA 21)
Juntamente com tantos testemunhos do passado, fontes de inspiração para nós, o Espírito suscitou nos tempos mais recentes grandes figuras de profetas-mártires no contexto de acontecimentos dramáticos da humanidade: o Beato Tito Brandsma no setor da comunicação da liberdade e da verdade e contra o racismo; Santa Edith Stein na frente da dignidade da mulher, da busca inteligente da verdade, das fronteiras da relação judaísmo-cristianismo; e outros carmelitas mártires, missionários e confessores da fé e do amor de Deus.
A atitude contemplativa do Carmelo libertou uma participação muitas vezes dirigida à ventura dos irmãos e das irmãs nas vicissitudes amargas da vida. O silêncio teológico do Carmelo torna suas as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias (GS 1) dos homens e das mulheres de cada época para a construção de um mundo novo e mais justo.
12. CONCLUSÃO
O Carmelo é fascinado pela beleza e o esplendor de Maria, livro no qual está escrita a Regra, porque n’Ela está escrito o Verbo. A Regra é Jesus Cristo, o Verbo, Palavra única do Pai; em Maria encontramos a sua forma mais perfeita. Discípula de Cristo, Maria é a favor da encarnação da Palavra Divina em nós. Isto também anciava a Beata Elisabete da Trindade, como uma encarnação da Palavra na sua alma.
A convicção de que a nossa Regra deve ser lida em Maria e na sua vida remonta aos primeiros escritos carmelitas. O P. Miguel de S. Agostinho escreve: A nossa Regra (isto é, o nosso estilo de vida) “simboliza”com Maria, Maria é como a outra parte do “símbolo”que permite um reconhecimento mútuo.
Teresa de Lisieux, que redescobriu o centro do Evangelho, descobriu ao mesmo tempo que Maria é mais mãe do que rainha, que a sua vida é igual à nossa e por isso nos conduz a Jesus na fé e no serviço.
Observando estes 800 anos da história Carmelita, expressemos a nossa gratidão a Deus por tudo aquilo que a Sua graça concedeu à vida da Igreja.
Louvemos o Senhor por todos os santos, conhecidos ou não, da nossa família.
Tendo em consideração os nossos santos pais, supliquemos que nos encham de amor e de paixão pelo Senhor e que a nossa Regra continue a inspirar aqueles que tentam viver em obséquio de Jesus Cristo, na viva tradição Carmelita.
A memória deste oitavo centenário é para nós um chamado de graça à fidelidade e júbilo na Igreja e na humanidade de hoje.
Fraternalmente,
Joseph Chalmers, O.Carm.–Prior Geral Luis Arósteguí Gamboa, OCD– Prepósito Geral
(Publicado no Jornal Diário do Noroeste de 22/09/2007)