800 ANOS DA REGRA DO CARMO – 1207 – 2007 - Parte 2
 

CONGREGAVIT NOS IN UNUM CHRISTI AMOR

“CONGREGOU-NOS UM ÚNICO AMOR DE CRISTO

 

800 ANOS DA REGRA DO CARMO – 1207 – 2007

Carta dos Superiores Gerais O. Carm - OCD

...Continuação

 

4. “NO CENTRO...” (REGRA 14)

 

A Regra prevê o oratório no meio das celas (nº 14): cada dia pela manhã todos são chamados a reunirem para a celebração da Eucaristia. Os Carmelitas deixam as suas celas e encontram-se no meio da ermida, como um gesto simbólico do caminho espiritual. Como membros de uma comunidade, saem do isolamento das celas para se reunirem no centro da ação comunitária. O oratório, que se encontra no meio, significa que somente Cristo Senhor é o verdadeiro centro da pessoa e da comunidade. Isto evoca a vida da primitiva comunidade cristã (At.2,42; 4,32), que fora sempre considerada memória e profecia da vida consagrada.

Esta união quotidiana é como um chamado a sair da solidão da cela e do perigo da auto-suficiência para encontrar Deus no coração da comunidade. O espaço e o tempo dedicados à busca de Deus no silêncio solitário e contemplativo da cela não devem afastar os Carmelitas do relacionamento com as outras pessoas. As duas realidades devem cruzar-se para serem autênticas. Qualquer experiência religiosa, na verdade, é realizada pela forma como nos relacionamos com os outros.

No centro do Castelo Interior de Santa Teresa de Jesus dá-se o encontro íntimo entre Deus e o ser humano. A meta do caminho interior é chegar a este centro de nós próprios onde Cristo mora, ultrapassando várias dificuldades e tentações. Em relação a  isto, a Regra utiliza a imagem bíblica da luta e das armas espirituais, que são a castidade, os pensamentos santos, a justiça, o amor a Deus e ao próximo, a fé, a confiança no Salvador, a Palavra de Deus. A Regra e a Bíblia relembram-nos que esta luta espiritual tem lugar em nós próprios. Com a oração, o silêncio, o trabalho e a abnegação evangélica, começamos a conhecer os aspectos da nossa vida que devemos melhorar e confiar no Senhor. (R.18,19,20,21).

 

5. “DEVEM REUNIR-SE TODOS OS DIAS PARA PARTICIPAR NA MISSA”   (REGRA 14)

 

O dia do eremita começa com a celebração quotidiana da Eucaristia, em memória da Páscoa do Senhor. Em outras circunstâncias, não se encontra facilmente o preceito da reunião e da celebração eucarística cotidiana. Aliás, os primeiros Carmelitas advertem sobre a importância deste mistério para as suas vidas e assim será durante os oito séculos seguintes: o encontro e a comunhão com Cristo são momentos indispensáveis da vida interior.

Entre os muitos exemplos que conhecemos, podemos citar Santa Teresa de Jesus, que defendia que uma fundação não seria completa se não fosse celebrada a primeira Missa e colocado o Santíssimo no tabernáculo da capela.

Quase todos os êxtases de Santa Maria Madalena de Pazzi aconteceram após a comunhão e o Beato Tito Brandasma no campo de concentração de Dachau, recebia forças das espécies sagradas que guardava na caixa dos óculos, enquanto sofria.

A Eucaristia é o centro da nossa oração, o mistério de Cristo mantido até à cruz e que ressuscitou e vive conosco. É a celebração da festa escatológica de toda a gente, é o dom divino de divisão de paz com todos.

 

           Joseph Chalmers O.Carm. – Prior Geral – Luis Aróstegui Gamboa OCD – Prepósito Geral

 

                              (Publidado no Jornal Diário do Noroeste do dia 02/09/2007)