Nos seus três anos de vida “apostólica”, Jesus deixou bem claro a que veio, e qual era a sua proposta. É bem verdade que as pessoas da sua época faziam uma outra idéia do messias que estava para chegar: um guerreiro vitorioso, um homem forte capaz de aglutinar o povo em torno do enfrentamento e derrota dos romanos que dominavam e exploravam o povo judeu. Um líder que devolvesse não só a independência socioeconômica e política, mas que realimentasse a auto-estima desse povo que, há séculos, via-se dominado por povos mais fortes (assírios, gregos, egípcios), e eis que o Messias vai chegando a Jerusalém, montado num jumentinho! “Eis que o teu rei vem a ti: ele é justo e vitorioso, humilde, montado sobre um jumentinho...” (Zc 9,9).
As pessoas que seguiam a Jesus começaram a ficar entusiasmado com a chegada do mestre á capital, começaram a aclamá-lo como o messias esperado, o Filho de Davi, o rei de Israel... Houve quem mandasse essa gente “calar a boca”, mas o próprio Jesus não quis impedi-los de tal gesto: “se eles se calarem, as pedras gritarão.”(Lc 19,40).
E assim Jesus vai dar pleno cumprimento á sua missão, pela não violência, pela humildade e submissão, vai deixar a eloqüente lição de que deverá enfrentar a morte como manso cordeiro, pregado no madeiro da Cruz. Antes, porém, como narra o evangelista João, no capítulo 13, transmitirá a todos nós a sublime lição do serviço: despojou-se, pôs água na bacia, e lavou os pés dos seus discípulos...”
“Fiz isto para dar-vos o exemplo como eu fiz, façais também vós... amai-vos como eu vos amei... ninguém tem maior amor do que aquele que da a vida pelos seus amigos...”
O “profeta” que veio da Galiléia quis viver a sua paixão até as ultimas conseqüências, deixando-nos porem a certeza da sua vitória, bebeu o cálice ate o fim, parar que tivéssemos a vida em plenitude.
Unidos, em comunidade, em família somos a família dos filhos (as) de Deus, iniciemos com muita devoção e fé esta Semana Santa, professando a nossa crença na vitória do Cristo, vitória essa que é precedida pelo seu aniquilamento, pela sua cruz e sacrifício.
Frei Osmar Vieira Branco