800 ANOS DA REGRA DO CARMO – 1207 – 2007 - Parte I
 

CONGREGAVIT NOS IN UNUM CHRISTI AMOR

“CONGREGOU-NOS UM ÚNICO AMOR DE CRISTO”

 

800 ANOS DA REGRA DO CARMO – 1207 – 2007

CARTA DOS SUPERIORES GERAIS O.CARM – OCD

 

 1. INTRODUÇÃO:

Há dez anos, com uma carta a todos os membros da família Carmelitana, recordámos o 750º aniversário da aprovação definitiva da Regra Carmelitana por parte do Papa Inocêncio IV.

Com este escrito, dirigimo-nos novamente aos diversos ramos da nossa Família para relembrar o Oitavo Centenário da Regra de Vida, dada por Alberto, Patriarca da Igreja de Jerusalém (1205-1214), aos eremitas que viviam junto à Fonte (de Elias) no Monte Carmelo.

Escolhemos 2007 como o ano simbólico (entre 1206-1214) da entrega  (Traditio) da Fórmula de vida que, após algumas adaptações, se tornou a Regra que hoje professamos. Aquele pequeno grupo inicial deu vida a uma história diversificada e rica de frutos de generosidade e abundância para a Igreja.

2. MEMÓRIA VIVA DAS ORIGENS

Todos os Carmelitas podem dizer que as suas raízes estão no monte santo. E escutemos as palavras de Santa Teresa de Jesus: “Tenham sempre os olhos fixos na linhagem a que pertencemos, a mesma daqueles santos profetas. Quantos santos existem no céu que vestiram este hábito. Procuremos ter a bem-dita certeza de estar com a graça de Deus como eles”.

Caros irmãos e irmãs, gostaríamos de convocar-vos a irem aos pés do santo monte, junto à multidão de testemunhas, que durante estes oito séculos atingiram vitalidade espiritual através dos mesmos recursos, para renovarmos o pacto de serviço fiel e de total obediência a Jesus Cristo. De fato, a nossa Regra é sempre fonte de vida nova.

3. “EM OBSÉQUIO DE JESUS CRISTO (REGRA 2)

A Fórmula de vida é expressão da experiência espiritual do primeiro grupo de peregrinos, tornados eremitas junto à Fonte de Elias no Monte Carmelo; evidencia fortemente a presença e o encontro vital com a figura de Jesus Cristo, ao Qual se submete por íntima e irrevogável amizade. A identidade carismática do Carmelo nasce deste contato vital quotidiano, de uma forma sempre renovada.
Esta propõe desde o início viver em obséquio de Jesus Cristo e tudo aquilo que se segue não é mais do que uma explicitação de tal afirmação: Cristo é o centro da Regra e também de toda a vida Carmelitana. Escutando a Sua voz, ofereçamos de todo o coração a nossa liberdade e a vida ao único Senhor e Salvador, que depois nos retribuíra em abundância (JO.10,10). O Obsequium é um ouvinte obediente, e viver em obséquio de Jesus Cristo significa confessar com a boca e sobretudo na vida quotidiana que Jesus é o Senhor (Rm.10,9), sendo conscientes que Ele nos dá  liberdade e nos enche de Si. O mistério de Jesus de fato revela ao homem e à mulher ao longos dos tempos o sentido profundo da própria existência.

A resposta ao chamado de Cristo traduz-se invariavelmente num caminho de transformação n’Ele, numa nova criação, e dá a capacidade de ver e amar o ser criado como Deus o vê e ama. Sem dúvida que é necessária muita coragem e perseverança na perseguição destes objetivos, pois o caminho por vezes pode ser tortuoso e árduo. No entanto, com os testemunhos de tantos Carmelitas, com o exemplo do Profeta Elias, fiel até no deserto, somos encorajados e incentivados em direção à montanha de glória. Maria, nossa Mãe e Irmã na fé, que acompanhou sempre interiormente os Carmelitas, esteve conosco em todos os momentos e guarda-nos neste percurso que conduz a Cristo Senhor.

 Joseph Chalmers O.Carm. - Prior Geral  - Luis Aróstegui Gamboa OCD - Prepósito Geral

(Publicado no Jornal Diário do Noroeste do dia 26/08/2007)