O povo de Israel tem algo diferente na sua história que outros povos não têm. Eles têm a convicção de fé de que foram constituídos como povo, pela Revelação e presença de Javé,o Deus Único no meio deles, e que fez uma Aliança com este povo.
A organização social e política tem como fundamento, de quem conduz o povo nos caminhos da história é Deus. Ele é o Senhor, o Rei de Israel!
Em oposição ao sistema político do Egito, onde o poder absoluto do faraó e o sistema piramidal; o povo estrutura-se numa organização comunitária e fraterna, onde o poder administrado comunitariamente, os Mandamentos, a Constituição da Aliança é a Lei maior.
Outras nações ou impérios que ao longo da história dominam o mundo, são como que feras que devoram e massacram a vida (Dn.7).
O povo de Israel, vendo como as outras nações tinham reis pedem a Samuel um rei, ao que ele responde que Javé era o rei deles. Como insistissem, Deus lhes dá um rei. Mas os reis de Israel corrompidos pelo poder levam o povo a se afastar da Aliança.
Quando os reis quebram a Aliança entram em ação os profetas denunciando o erro e chamando ao retorno do Projeto de Deus.
Algumas personagens são portadoras de esperanças de Libertação e de vida plena:
O PROFETA: Alguém que como Moisés falará e agirá em nome de Deus. (Dt.18,18).
UM REI SÁBIO COMO SALOMÃO: Ele pede sabedoria para governar.
UM PASTOR COMO DAVI: “Ele os apascentará, ele lhes servirá de Pastor” (Ez.34,23).
O RESGATADOR, REDENTOR: “Eu mesmo te ajudarei, oráculo de Javé, o teu Redentor é o Santo de Israel. (Is.41,14).
A REALEZA DO MESSIAS: “Senta-te à minha direita... trono para sempre (Sl.110 –109).
O EMANUEL, DEUS-CONOSCO: “Eis que a Virgem conceberá um filho e dar-lhe-á o nome de Emanuel” (Is.7,14).
O DESCENDENTE DE DAVI: “Sobre ele repousará o Espírito de Javé... de Sabedoria...” (Is.61,1-2) O Espírito profético confere ao Messias as virtudes eminentes dos antepassados.
O SERVO SOFREDOR: Escolhido por Deus para uma missão. As perseguições que o Servo sofrerá com grande paciência são um escândalo para os espectadores, mas na realidade constituem intercessão e expiação dos pecados. (Is.52,13-53,12).
As expectativas messiânicas estavam presentes na memória do povo quando Jesus chega. Vendo como ele fala e age, a pergunta que surge é: “Não será ele o Profeta?” “Que Sabedoria é essa?” “Ele ensina com autoridade”.
Ele tem compaixão da miséria do seu povo e os liberta de todos os males, por trás revela-se o Deus Libertador de Ex.3,7.
O sucesso que faz arrasta multidões e querem fazê-lo rei. Os próprios apóstolos não entendem o poder e discutem quem é o maior, a que Jesus responde: “Os chefes das nações as tiranizam, entre vós não será assim, quem quiser ser grande, seja o vosso servidor e aquele que quiser ser o primeiro seja o servo de todos. Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido mas para servir e dar a vida em resgate por muitos. (Lc.22,24-27)
No julgamento Pilatos pergunta: “Então, tu és Rei”? Respondeu Jesus: “Tu o dizes eu sou rei”. (JO.18,36-37). Jesus anuncia o Reino de Deus, mas que rei é Jesus? Como é o seu Reino? Como exerce o poder? Onde está o seu trono e sua coroa? Onde está a pompa e riqueza do seu reino e o poderio do seu exército?
O lava-pés que ele realiza na Última Ceia com os seus apóstolos e a entrada em Jerusalém onde é aclamado: “Bendito o rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas” (Lc.19,38), o eco da profecia de Zacarias 9,9: “Eis que o teu rei vem a ti: ele é justo e vitorioso, humilde, montado sobre um jumento; revela-nos como Jesus é Rei e ensina-nos a fazer o mesmo que Ele fez”.
Frei Filomeno dos Santos O. Carm.
(Publicado no Jornal Diário do Noroeste do dia 01/04/2007.)