TOMÉ ESTAVA AUSENTE... (JO 20,1ss)
 

Depois de termos vivido o tempo da Quaresma, a Semana Santa e o Tríduo Pascal, vivemos agora o tempo pascal. É possível que muita coisa continue ainda ressoando em nossas mentes e corações, pois tantas imagens, gestos, cânticos, provoaram as celebrações dos últimos dias: água e fogo, lavar os pés, partir o pão, procissões e momentos de silencioso recolhimento. Tudo isso pode ter nos ajudado a bem celebrar o mistério da vida de Cristo dada por nós: “corpo dado, sangue derramado”...
Os evangelistas deixam claro que, mesmo com os anúncios da paixão que Jesus fizera aos seus discípulos, “eles nada compreenderam...”e por isso, a fuga, o pavor, o medo, a decepção. As primeiras aparições de Jesus vão se dar nesse clima: reunidos, com as portas fechadas (os corações fechados, amedrontados) por medo dos judeus. A paz... é o que Jesus por primeiro deseja a eles. Sem essa paz é impossível que se estabeleça uma comunicação e comunhão com o Ressuscitado.
O evangelho deste domingo narra a aparição de Jesus, quando Tomé estava ausente.  Todos os outros viram a Jesus, apenas Tomé, que não estava presente no momento, não participou desse feliz momento. Possivelmente o evangelista quer dizer algo mais com essa ausência do grupo. Quantas oportunidades perdemos de contemplar a Jesus, de entrar em profunda comunhão com ele, de alimentarmos o nosso ser com sua presença e vida, mas estamos ausentes! Então o anúncio que os outros nos fazem não encontra acolhida de nossa parte, porque estamos “alienados”, estamos fora do convívio e da comum união com os irmãos e irmãs. Tomé não estava com o demais! Não pôde ouvir suas palavras, não pôde Vê-lo, saborear a sua presença. Estava ainda muito abalado com o morte do Senhor.
Jesus, depois de aparecer a Tomé e ouvir a sua profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”, proclama felizes os que acreditaram e acreditarão sem ver. Pela nossa fé nos cremos na ressurreição de Jesus, embora não o vendo na carne, e esse crê nele, requer de nós o anúncio de que Ele vive e está no meio de nós. Só crê verdadeiramente aquele que professa, que vivencia o que crê. Tomé não estava presente, teve depois o privilégio de encontrar-se com o Senhor. No partir o Pão (da Palavra e da Eucaristia), nos demais sacramentos, sinais visíveis dessa presença-ausência, Cristo dá-se a conhecer revela-se a nós e auxilia-nos para que sejamos as suas testemunhas até que Ele venha outra vez.


Frei Osmar Vieira Branco Oc.